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terça-feira, 3 de novembro de 2009

Coração de poeta

E logo eu que sempre fui de estar bem sozinho
Vi o anoitecer e quis companhia.

A noite passa, o dia passa, o bonde passa...

Coração de poeta é fraco
e não pode com emoção forte
mas insiste em querer palpitar
e não para por amor – e sorte

Mas se para, é pra te ver passar
E assim fica até o instante acabar
Perigoso é, se atordoado, esquecer
A hora certa de voltar a bater


Leonardo Guimarães

domingo, 5 de julho de 2009

o ser de quem sou

eu sou homem bom
do nordeste do leste europeu
da lua e do planeta distante
sou de todo lugar
sou flor e espinho, comutativamente
sou dor e sofrer, do coração de toda gente
sou eu, sou bem querer e mais não poder
sou passo breve, matuto, faceiro
sou o olhar derradeiro
estrada sem rumo
menino sem prumo
cangaço sem fumo...


Leonardo Guimarães

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Tem dias

tem dias que a gente acorda
e quer ganhar um abraço
mas não quer pedir um abraço
é como uma moça que ama secretamente
e espera um passo a mais de seu amado
tem tardes, daquelas ensolaradas
que a gente só quer ganhar um beijo
mas não quer pedir um beijo
é aquela vontade de beber água
mas não querer levantar do sofá
ah, tem dias que a gente quer tanto...
e a gente não ganha.


Leonardo Guimarães

quinta-feira, 23 de abril de 2009

O Meu Ser


Eu sou o instante em que habito
Hoje mesmo fui um dia típico europeu
Um cantar de pássaro,
um fusca amarelo que dobra a esquina
Fui amontoado de tarefas, problemas
que duplicam-se só no ato de pensá-los
por instantes fui pedinte e ultrajado
no momento de ser três esfomeados
quase sempre sou algo
mas também já vim a ser nada
sou a simultaneidade dos fatos
e a casualidade dos atos
Nessa de ser por estar
sem saber em que estrofe viver
o que me mata é o constante questionar
não do que sou, mas do que posso vir a ser


Leonardo Guimarães

domingo, 19 de abril de 2009

Pulsação

Este coração, doido, pulsante,
Pulsa no peito, doido que só
que se pulsa, me impulsa, feroz e delirante
a um amor, uma oração, ou então algo maior

Pulsante coração, de inexorável atuação
destina pulsações a mais de um ser
pois pulsar por uma amada em solitário é razão
arritimiar-se no peito em plural, é viver

Pulsa, coração! pulsa a mais não poder
Troveja em teu peito, tempesta em emoção
Como tu, outros pulsam, em desejo de te ter
esperando a alegria que tu destinas, pulsação



Leonardo Guimarães

quinta-feira, 16 de abril de 2009

despedida de cantador de viola


-minha amada amiga Liz
venho por meio de versos calmos
numa vida um pouco feliz
medida com 4 palmos
dizer que é chegada a hora
depois de um longo dia inteiro
leo primeiro vai embora
e a liz por derradeiro.

-caro Leo,eu lhe digo
Amigo bom se demora
se por último eu sigo
É porque tu vais embora
se me queres algum bem
Fica, vai outra hora
O amanhã pertence a ninguém
se ficas,tudo bem
Se não, a noite chora


Leo,Liz

domingo, 1 de março de 2009

Encontro

Sozinho eu sigo
Com o mundo às costas
A solidão não me entristece
Mas feliz não me deixa
É como se já fizesse parte de mim...
Em buscas por não estar só,
Encontro-me, cada vez mais,
Carente de mim
Ah, quem sabe um dia
Eu me encontro de vez
E vivo feliz para sempre...
Comigo.


Leonardo Guimarães

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Ir

Só sei
ir,
voltar,
não consigo.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A Moça

Ei, moça, aparece na janela
Veja quem te espera
Lá fora com uma flor

Abre teu sorriso
E põe pra fora teu cantar
Que teu amado tem decorado
Milhões de versos pra declamar

Aparece e depois desce
Que ele também trás consigo
Mil e um beijos. Ou mais...

E abraça-o forte, com gosto
Juntando seu corpo ao teu
Que se beijas e amas o oposto
Beijado e amado sou eu.


Leonardo Guimarães

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Se tu soubesses de meu amor

Meu amor é como o vento,
Que bate às rosas e as leva ao chão.
Espera-te sozinho, sem um livro, sem uma fumaça, sem uma taça
Que molha a boca e me alegra o coração

E eu não nego a te entregar
O meu ardor, o meu cantar
Toma, é teu!

Ah, meu bem... Se tu soubesses
Tu não serias assim...


Leonardo Guimarães

sábado, 13 de dezembro de 2008

O Passar da Hora

A hora, agora, porque a quero, arrasta
Passa devagar que se não vejo, para.
E tão sacana e faceira, passa esta hora
Que me espera a distração, e escondida, volta

A hora demora sem piedade alguma
Esnoba os amantes que aguardam pra se ver
Dedica-se, especialmente, as moças, uma a uma
Dos Jovens casais que ainda vão se conhecer

Mas chega, e quando chega, apesar de sua demora
Pros jovens, pros casais e quem mais por ela espera
Aperta os corações, pois rápido vai embora
Já que o tempo de demora ela mesma que pondera


Leonardo Guimarães

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Coisa da vida

Êita vida besta, meu Deus
Que não sossega o coração amado.

Êita Homem besta, sou eu
Que vê quem ama, fica atordoado

Se me briga, esnoba-me
Fico triste que... nem sei
Mas se tu vens melosa, com teu charme
Com esse ar de amor pra dar,
Já esqueci de tudo...

Ah amor, sou teu e, o que é pior: Tu sabes!

Agora veja... Quem diria, eu
Fui me apaixonar por ti, menina
Do mundo passei a ser seu
Num gesto de olhar de esquina...


Leonardo Guimarães

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Pra Liz


Eis que surge lá no céu
Em luzes fortes a brilhar
Um disco belo em tom pastel
Nervoso de tanto girar
E a moça em estado paralisado
Olha e vê o não habitual
Disco voador tão almejado
Pousando ali no seu quintal

domingo, 14 de setembro de 2008

Meu Funeral




Quando eu morrer
Quero algo solene...

Traje a passeio, para formalizar
Óculos escuros, somente por estética
Nada de velas, de faixas, de ditos...
Mas das flores não abro mão.

A música tem que ser triste,
Em tom de adeus.
Violão dedilhando e metais soprando.
Tudo muito suave...

Peço que deixem
Que todos cheguem a mim
Que me peguem, me beijem, me abracem
E que chorem em mim,
Se lágrimas houver...

Quero, por último
Que me cubram e enterrem
Quando o último, seja quem for
Retirar-se de meu lado
Por vontade própria.


Leonardo Guimarães

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Pode mesmo ser

Pode ser que o tempo passe
E que todos fiquemos para trás
Que acabe o momento, que apague a chama
E que o vento leve o que restou de nós

Pode ser, talvez, que tudo acabe
E acabe assim, derrepente, num instante

Que a dor corrompa a felicidade
E eu esqueça como é amar
Desastre na vida, pior não há...

Quero amar, voltar a sorrir, voltar a viver
Quero chorar, ter quem abraçar, ser livre, voar
Chegar derrepente e presentear ao aparecer
Aquela que amo, por quem sofro e quero viver

Oh vida, devolva, não seja cruel
Assim tu me amargas, me tira o razão
Dilacera meu peito, quebra o anel
Que existe entre ela,
Que passa por mim,
E encontra o céu...


Leonardo Guimarães

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Soneto da Casa no Campo

Quando penso em ti, oh casinha no campo
Consigo sentir e assim me consumo
O cheiro de tua grama, da madeira do banco
Do orvalho da noite, da fumaça do fumo...

Só me falta teu corpo, tua voz, tua alma
E que venha contigo, o meu doce refúgio
Doce ser que embrutece, depois vem e acalma
Como o mais belo som do mais belo prelúdio

Perderíamos as horas com palavras ao vento
Que voam como pólen e ao longe fecundam
Inaudíveis aos ouvidos mais sensíveis

Mas ainda assim eu estaria atento
Para tuas enchentes de amor, que inundam
Meus desejos e meus beijos – Irreversíveis...

Leonardo Guimarães

domingo, 27 de abril de 2008

Sorriso de criança

Não há nada mais belo
Que um sorriso de criança.
A falta de dentes
Gengiva a mostra
Brilho nos olhos...
É tão puro, belo, sincero
E nasce do fundo da alegria
Que por vezes a me sentar, espero
Este luar, ou sol, de novo dia
Sorria, criança, sorria
Que a vida boa é esta agora
Com teu riso vem e irradia
O que se faz belo com ajuda da aurora...

Leonardo Guimarães

quinta-feira, 3 de abril de 2008

O Ser Poeta

O Poeta é um ser estranho, se é
Na maioria, e quase sempre, vive triste
Porém, Poeta alegre, um ser de fé
É algo belo, inefável e existe...

Sabe sorrir, sabe cantar e até sofrer
E a vida vai com rumo, destrilhada
Sabe muito, sabe nada , sabe viver
E perde os olhos no andar de sua amada

E há quem diga que loucura ser poeta
E há quem diga poeta eu queria ser
Esse ser que não se ama, se afeta
Ah! Poeta eu quero ser até morrer...

Leonardo Guimarães

sábado, 22 de março de 2008

Quem sou



Dos heróis, sou Dom Quixote
Luto em nome do amor
Dos bandidos, sou Pixote
Tiraram-me meu valor
Em sentimentos, sou tolice
E não sei pra onde vou
Na pureza, sou Alice
E de certo não sei quem sou...
Da droga, sou o vício
E dos animais, sou a fera
Dos amantes, sou Vinícius
Vinícius? Ai quem me dera...


Leonardo Guimarães

sexta-feira, 21 de março de 2008

A ararinha e a gaita

Oh ararinha bonitinha, diz você
Onde foi que escondestes minha gaitinha
Sem ela sou fraquinho, fraquinho... Não vê?
Diz-me logo onde pôs, minha ararinha

Dá-me e toco aquela música que gostas
Aquela mesmo em que levantas a patinha
Sacodes o bico e treme as penas com as notas
E depois pula, pula alto, ararinha...

Que arara mais marota e brincalhona
Dentre todas, é esta, arara minha
Pega a gaita, toda noite, na poltrona
E esconde bem debaixo da asinha!

Leonardo Guimarães

Soneto de amar

Do amor que em mim havia
Somente a solidão restou
Não conheço-te mais, todavia
Fostes tu que em meu peito celebrou

Surgiu, floresceu e morreu
Como tudo nessa vida de matar
Era flor desabrochada esse amor teu
Era estrela, viva em noite de luar

Mas passa, sempre passa – e passou!
E essa dor que talvez fique, e sempre fica
É inefável dor de amor – de quem amou

Lembrar-te é ver-te como espinho que me fura
É sentir-te como luz que se apaga
É viver-te, degustar-te em amargura...


Leonardo Guimarães

O querer

Não devo!
Quero? Não sei...
Quero a Paz, quero o Sossêgo
Da dor, um pouco...
Não muito!

É preciso que seja a medida ideal
Que venha inesperadamente
Como a chuva de verão
E que seja branda.
Felicidade é bom, mas demais, enjoa.
Quero também, se possível, um quintal
Não grande! Que dê pra andar lentamente
Pisar as folhas secas no chão
E que sempre pareça tocar uma cantiga
Talvez de ciranda... Uma cantiga atôa.
Quero uma cabana perto do rio
Onde eu fuja e tente me achar
Ou que me perca, me perca por lá
E ninguém nunca mais encontrar...

E que bom seria um amor...
Para comigo estar,
Para comigo andar,
Para comigo amar...


Leonardo Guimarães

sábado, 15 de março de 2008

Se tu entrasses por esta janela agora...



Se tu entrasses por esta janela agora
De certo, não me veria
Veria muito, e não veria a mim.

Veria minha dor, balançando-se na cadeira
E a pouca felicidade, já em cinzas, na lareira...
Respiraria meu ar cansado, e veria ao chão
Dilacerado, meu verbo inconsútil.
Ainda estariam, como fumaça, os amores deixados
Os amores deixados, os amores roubados...
Veria minhas crenças sobre a cabeceira
Veria meu erros, que tanto escondi
Tocaria minha pureza de mulher-freira
E choraria ao ver ali, onde vivi
Meu corpo manso, alheio a tudo
Meu corpo calmo, ainda desnudo
Minha vida breve, breve de tudo...

Mas de certo, ali, eu não estaria.

Tu andarias e viria me afagar
Espantado, pararia e escutaria
O barulho de taco velho a estalar
Olharia, olharia e não veria...

Olharia, olharia e não veria
Pois de certo, ali, eu não estaria...


Leonardo Guimarães

sábado, 8 de março de 2008

Viagem


Leonardo Guimarães

domingo, 24 de fevereiro de 2008

O Domingo


O Domingo chega bonito, mas triste.
Não há quem diga que o domingo é um bom dia
Para um piquenique na praça,
Para o passeio do campo,
Para o torneio da taça,
Para o beijo do banco.

O Domingo é maroto e assim permanece.
Sonso, definhante, estático.
A missa é o refugio mais doce
Pois o Domingo é bom para a prece.
Oh Deus o que é o Domingo?
O dia é claro, a tarde é calma e a noite enlouquece.
Mas o que seria do poeta
Se o Domingo aqui não estivesse?

Leonardo Guimarães

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A Margarida



Certa vez em um dia triste
De tarde um tanto nublada
A Borboleta tenta e persiste
Pousar na Rosa ensimesmada

A Margarida de longe observa
E aprecia sem dizer nada
E quieta, ali, se preserva
Guardando-se enciumada

Mal sabe a Borboleta linda
Que a Margarida a espera chorosa
Enquanto o Cravo prepara a vinda
Para o encontro da bela Rosa


Leonardo Guimarães

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

O Amor chegou

Então foi assim, já o tinha....
Olhou pros lados sem saber de onde vinha
E conformou-se
Fazer o que se o já o tinha...
De seca já estava a boca
O amor lhe batia acelerado
Consciência, da que havia, era pouca
Mas de sonhos, aí sim, restava um bocado...
Não tinha hora, não tinha lugar
Não tinha ninguém.
E mesmo assim, insistia
Como convém...
Sabia das dores que o amor traz
Mas gostou da hora, em que triste, se fez
Mesmo assim roncava no peito e se julgava capaz
De sofrer... De sofrer e de tudo agüentar outra vez...
E vivia a amar, e vivia a sofrer
E chorava aos cantos, mas ainda, enamorado
Mas assim preferia, ter da dor, e viver
Que de todos os dias da vida, nunca ter amado...

Leonardo Guimarães

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

O casal que passa.

O casal que passa é belo
Depois dos portões nada é meu
Nem o casal singelo
O casal que passa é belo
Ah meu Deus
Como é belo
O casal que passa...
O casal que passa é junto
É claro, é suave
Deixa rastro de cheiro doce
E passa sem dizer nada
Ingênuo ele, que a acha divina
Menino do casal que passa
Que na verdade a doce menina
Não passa da louca devassa
Mas não importa, o casal, Deus meu
Mesmo belo e completo em graça
Pois tu sabe que é desejo meu
Ser eu o casal que passa...


Leonardo Guimarães

Minha vida sem mim.

Minha vida sem mim seria mais alegre
Mais musical, colorida, bonita...
Seria menos melancólica, menos nostálgica
Seria poesia...

Seria mar em calmaria
Desabrochar de uma flor
Seria tarde, noite e dia
Talvez ódio, talvez dor

Minha vida sem mim seria vida
E não o que vivo, e assim insisto
Teria começo, meio e fim – talvez feliz
Seria canção...

Canção em harpas, violinos, clarinetes...
Das vozes, as mais belas: Tenores e sopranos
Macias, todas elas, afinadas, sem falsetes
Dos poemas os mais belos: dos românticos aos parnasianos

Minha vida sem mim seria o fogo que molda
Forma o que toca, fere a quem encosta...
Neblina e nevoeiro,
Seria solidão...

Porém não teria sabor
Oh Deus minha vida sem mim...
Não teria meu sincero amor,
Minha vida não seria assim...
Leonardo Guimarães

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Os três de mim.


Acontece que existem três de mim:
O que vive no passado, o que vive no presente e o que vive no futuro.
Sobre o do passado, eu já sei tudo: Seus erros, suas vitórias, seus defeitos e qualidades, suas desilusões, suas paixões – as quais sempre insiste em relembrar...
Sobre o do futuro, pouco sei. É incerto e instável. Pode ser que venha logo, ou que demore, que nunca chegue...
Mas o que mais me perturba é o do presente. É realmente difícil conviver com as lembranças do passado e os devaneios incertos do futuro.
Uma parte dele é feliz, mas a outra é triste. Uma parte é sonho e a outra esquecimento. Ele é quase tranqüilo, quando não é quase agitado, e também é doce e terno, naqueles momentos, quando não está enfurecido. Sente-se livre sozinho, mas precisa de alguém para controlar seus vôos e fazer com que volte... Ora, como pode ser alguém tão dividido que seja quase forte, quase fraco, que quase viva, nas horas que quase não morre? É quase entendido quando não é quase confuso. Então descobriu que a culpa não era dele, nem delas... o problema foi que ele quase amou...

Leonardo Guimarães

Coisas a se dizer

Eu pensei no que dizer:
Pensei em algo poético, suave, terno
Mas achei que poderia dar ar apaziguador
Pensei em coisas calmas, das que se dizem no inverno
Mas não achei conveniente: Estávamos no verão
Então pensei em algo triste, nostálgico, depressivo...
Ora... Isso não é preciso
Os pássaros, com seu piar
Sugeriram algo alegre, paralisante
Algo empolgante, incoercível...
Mas eu sou medo, sou angústia, sou receio
Sou desconexo, bipolar... Devaneio
Sou triste ao me rir
E fico feliz chorando
Digo calado o que não sei sentir
E nada digo ao me botar gritando
Então pensei no que dizer
E antes que a paixão amiúde me invada
Achei o melhor a se fazer
De todas as minhas fraquezas, escolhi a prudência – Não disse nada



Leonardo Guimarães

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Não estou inspirado mas estou feliz.

O primeiro minuto do ano veio com uma estranha euforia, causada por não sei o que, mas que também não durou muito. Talvez tenha sido somente a euforia normal de início de ano, mas não quero acreditar nisso para não desmerecê-la... Feliz ano novo! Feliz ano novo... Aquela velha história... Porém, contrariando todas as leis de meus sistemas nervoso e emocional, encerro o começo de ano feliz. Talvez pela presença dos amigos, ou então pela comida saborosa, ou pela ligação, que é o mais provável... Nem é preciso dizer o que eu mais gostaria: Beijos, abraços, votos felizes! Ora... Deus não dá mesmo asas à cobra...

domingo, 23 de dezembro de 2007

O que dizer?

Sempre fora um homem persistente e obstinado. Um dia decidiu: Nunca mais falarei!
Porque um dia dar explicações cansa. Porque um dia fazer e responder perguntas cansa.
Ora! O que não cansa nesse mundo? Assim o fez. Aos cumprimentos respondia acenando, aos pedidos, respostas negativas, era mais simples balançar a cabeça para os lados, qual seu nome? Não mais tinha. Até que um dia, ao chegar em casa mais cedo, viu a esposa na cama com outro. Nada disse. Não sabia o que dizer.
Leonardo Guimarães

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Ao amigo Armstrong


Ao som de La vie en rose,
Cantada pelo amigo Armstrong,
Com o bom Jazz de New Orleans.


Meu amigo Armstrong
Dá uma força no dilema
Não tem fumo nem uísque
Imagina meu problema?

O coração ta apertado
Mas você ta ajudando
To cortando um dobrado
Mas a vida eu vou levando

Ta certo que eu errei
Quem amo não me ama mais
Saber disso eu bem sei
Mas aceitar, amigo... jamais!

Saudade daquele tempo, sabe
Que eu amava e era amado?
Dor no peito não mais me cabe
To sofrendo um bocado

É você amigo, verdade
Que pode me ajudar
Mas volto à realidade
Quando a música acabar



Leonardo Guimarães

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

As vezes sou assim...



As vezes sou assim... meio trevas, meio luz,
Meio estrada sem rumo, chamas...
Meio mar, meio ressaca,
Meio noite ou dia ensolarado
Meio flor, meio espinho
Barracão abandonado.


Leonardo Guimarães

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Te amo como o meu cigarro

Oh amor que saudade que bate
Pergunto-me se é assim que mereço
Sou cão fraco que não morde nem late
Sem você não sou nada. Pereço...

Por você paro até de fumar, ô
De beber, de cantar e fingir
Por você, meu amor, só não paro
De sonhar, de amar e mentir


Leonardo Guimarães

Todo teu, eu sou.

Hei amor, sou teu, todo teu
E disso não mais se esquece
Teus beijos, teu corpo... todo meu
É brasa que me aquece

E a cabeça? Só vive em ti...
Assim nem consigo pensar
A todo te quero aqui
E não estou a reclamar!

Manda um beijo daí, assim...
Pra ver se chega por cá
Se não chega amor, ai de mim...
Tenho de ir aí pra buscar.

Leonardo Guimarães

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Chovia no seu dia de merda.

Chovia impiedosamente. Ele sentado no sofá, bem agasalhado, tomava um café. Na TV, as últimas notícias eram anunciadas pelo rapaz bem apessoado e de terno. Levantou-se e tirou a roupa. Nu, foi correr na rua. Passou pela banca, correndo, comprou um jornal, foi ao cinema, ainda nu, passou na faculdade gritando, ainda correndo e por fim parou no Mcdonald, encharcado sentou-se, pediu um pudim, ainda nu, e comeu olhando a bela moça que esfregava o chão.
Leonardo Guimarães

Noite

Eis a hora derradeira, quando se instala o silêncio, quando me deito e penso...
Pensar não é o problema, mas eis justamente aí o problema...
Leonardo Guimarães

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Isso não é um título.

Isso não é um poema.

domingo, 21 de outubro de 2007

Amar é para os fracos...

As idéias, vastas, lhe saltavam como pulgas
Pipocavam na cabeça – doces e salgadas
Tanto, mas tanto pensava, que a cabeça lhe doía
Quando alegre, entristecia
Por triste estar, se sorria
Falava o que não devia
Sonhava o que não queria
Sentia o que não sentia
As paixões que não podia – quem disse que não?
Como nunca as vivia – fundamentadas ou em vão...
Eternamente apaixonado
Pelo que ou por quem não sabia
Até que um dia descobriu
Que não bastava só sentir
Que não bastava só sonhar
Que nexo não tinha sorrir
Muito menos sorrir por amar
E há quem diga que o melhor
No ato de se amar
Em vez de alegre ficar
Seria de tudo e muito chorar
Para que comemorar
O que – claro – te fará sofrer?
Não há como se entregar
E depois não se foder...
Zomba de mim porque gosto
Chama-me de doido varrido
De infante amoroso sofrido
De coração corrompido
De burro, imbecil ou bandido
Mas não te esqueças, amigo
De bem alto me humilhar
Para que todas que muito amei
Não se deixem de escutar.

Leonardo Guimarães

sábado, 20 de outubro de 2007

O momento

E então, o homem que mais havia falado na sua vida, que mais havia brincado, que mais havia rido, o homem que mais havia chorado, discutido, naquele momento, sério, não sabia o que dizer.

Leonardo Guimarães

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Desde sempre amou demais....

http://br.youtube.com/watch?v=VaoOK1MyGNE

Amou a tia, professorinha de primário
Amou a colega – a da carteira ao lado
Amou o amiguinho, o que brincava de carrinho
E porque não o vendedor de algodão doce?
Amou o pássaro cantando na árvore
A orquestra na praia de Copacana
Amou o jardim, o banco, o passeio
Até o café, ainda que com torrada de pão de centeio
Amou a jovem, branca de cabelos curtos
E as outras duas sentadas no muro
Amou principalmente a morena, de cabelos enrolados – e idéias tão quanto
Lábios carnudos, olhar meigo e terno
Ainda que só tenha durado um inverno – o melhor deles...
Amou a loirinha, baixinha, gordinha, ainda que antes
E a mais formosa e mais bela delas
Dos olhos mais belos, mais verdes, mais sedutores...
Dos cabelos lisos, tanto grandes ou curtos – ainda mais belos
E assim foi preso
Nos enlaces de seu sentimento...



...amou demais.

“Eu sei que vou sofrer, a eterna desventura de viver, na espera de viver ao lado teu, por toda minha vida...”

Leonardo Guimarães

quarta-feira, 17 de outubro de 2007



BEIJA-ME DE REPENTE,
ama-me com urgência
sofreguidão e ternura
com selvageria e doçura
ingenuidade e ciência
Beija-me porque é preciso
e também, por indecisão
Ama com a argúcia máxima
da aleatoriedade e da imprecisão
Beija... falaz tirocínio
com o lume de quem não tem siso,
mas meu mundo na palma da mão
Ama pois é o destino
e porque nunca é decisivo
beija urgente e inciso
bem fundo e preciso
o meu
coração



Érico Braga Barbosa Lima[ver mais em "Estilhaçoes de Babel" Editora Antigo Leblon, 2006.]


Tudo pela metade

É CLARO QUE FOI TUDO PELA METADE,
eu fui meio forte, fui quase covarde,
daquela vez em que quase fugi.
Por outro lado, também por ali
vi parte de um vulto, foi pela metade,
uma sombra, um fantasma, que eu juro que vi,
Mas, pensando bem, acho que essa saudade
me faz ver um passado que não sei se vivi.
E, falando em saudade, não sei se a cidade,
no meio do dia, em meio aos civis,
que andam soldados aos bancos, nas grades,
alheios às praças, tão presos em si;
como eles, não vejo, de minha sombra, a metade,
nem a parte que chora, nem a parte que ri.
Foi tudo, eu sei, quase pela metade,
aquele amor verdadeiro... que eu quase morri...
o amor derradeiro... acabou, já era tarde,
e, vejam, no fim, sei que quase sofri.
Enfim veio a canção, uma saudade,
Uma inspiração ou talvez piedade
pela indecisão — pelo que deixei de sentir.
Por uma vida de graça,
que, pelo preço da praça,
por metade...
...eu vendi

Érico Braga Barbosa Lima
[ver mais em "Estilhaçoes de Babel" Editora Antigo Leblon, 2006.]

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Poema

Por entre as palavras descascadas de teus lábios
Com o sangue limpo pelos lençóis encardidos
Ainda me pulsa a vida – amarga – pelos átrios
Onde o caos se instala, por entre amores bandidos

Desfigurado pelo teu suor ardente em meu corpo
Nunca antes provado, mas no ato, embriagante
Tomado de desejo, a ponto de ficar torto
Com carícias suaves – uma aventura errante

E quando a mim falastes: para sempre, meu amor
Eu fiquei impregnado com mentiras desleais
Não passou de teu momento de mais ríspido furor
Mesmo assim eu não cansava de ouvir e pedir mais...

Leonardo Guimarães

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Fernando Pessoa

Cartas de Amor

Todas as cartas de amor são ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras, ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser ridículas.
Mas, afinal, só as criaturas que nunca
escreveram cartas de amor é que são ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso cartas de amor ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor é que são ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos,
são naturalmente ridículas.)
(Álvaro de Campos)

Enfim, um indivíduo de idéias abertas.

A coceira no ouvido atormentava. Pegou o molho de chaves, enfiou a mais fininha na cavidade. Coçou de leve o pavilhão, depois afundou no orifício encerado. E rodou, virou a pontinha da chave em beatiude, à procura daquele ponto exato em que cessaria a coceira.
Até que, traque, ouviu o leve estalo e, a chave enfim no seu encaixe, percebeu que a cabeça lentamente se abria.

Um bom feliz desaniversário!



- As estatísticas provam que só há um aniversário.
- Minino! Um somente em cada ano!

- Ah! Mas há 364 desaniversários.
- Por isso nós vamos tomar muito chá!
- Então hoje é meu desaniversário?!
- Oh é!
- Oh é!
- Oh, que coincidência...
- Bem nesse caso...





- Um bom desaniversário...


- Pra mim?


- Sim!


- Um bom desaniversário...


- Pra mim?


- Sim sim!


- Agora assopre a vela mas não queimes o nariz! Um bom desaniversário feliz!

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Ah quem me dera ver-te...

Bom seria sentar-me naquele banquinho sabe... Aquele mesmo... De cimento, naquela praça bucólica, ouvir o cantar dos passarinhos, o barulho do vento por entre as folhas das árvores, mini-redemoinhos no chão e pensar... Pensar no que me tornei. Quantas juras troquei sem necessidade alguma, e quais delas foram verdadeiras!? Quem souber que me diga porque eu não me lembro. Quantas noites, quantos dias... Perdidos em pensamentos sentimentais infundáveis e inexoráveis! Ah! Se esse mundo fosse meu... Ah se fosse só meu! Quanta coisa! Quanta coisa eu não diria as flores... Quanta coisa eu não diria... Quantas vezes eu viveria amores? Quantas vezes eu nada viveria... Quem de terras tão distantes viria importunar-me a ponto de eu me apaixonar? Quem do meu mais intrínseco e inconsciente pensamento não viria para me deixar tão triste de forma que eu não mais quisesse pensá-la?
Quem para me decepcionar tão bruscamente para que eu sofra!? Quantas músicas seriam tocadas, dedilhadas e cantadas para me emocionar, ainda que gelado, morto ou acordado, posto. Ah se o mundo fosse meu... Eu teria de ser arrancado de meu trono de poeta, dilacerado por tudo sofrido, envergonhado por tudo vivido. Eu teria de ser arrancado...
Quantos olhares de criança eu haveria de perder enquanto ocupava minha vista com teus lábios sedutores, desejando teu corpo, como um prisioneiro que deseja tatear a liberdade, melhor comparação não há! Quantos “paracatizuns” eu perderia ao ouvir teu falar manso e sedutor... Por quantas coisas me tornaria responsável, ao cativar, sempre com minha imutável e inexplicável mania de ser simpático a todos, de amar a todos – que ódio.
Por fim, no fim o que me restaria, como agora, seria a eterna vontade de viver em um mundo novo e um “ah quem me dera que esse mundo fosse meu...!” Um “ah quem me dera...”.
Leonardo Guimarães

Amor - Seria a de finição correta?

amor s. m.

amor

do Lat. amore

s. m.,
viva afeição que nos impele para o objecto dos nossos desejos;
inclinação da alma e do coração;
objecto da nossa afeição;
paixão;
afecto;
inclinação exclusiva;

ant.,

graça, mercê.
com -: com muito gosto, com zelo;
fazer -: ter relações sexuais;

loc. prep.,

por - de: por causa de;
por - de Deus: por caridade;
ter - à pele: ser prudente, não arriscar a vida;
- captativo:vd. amor possessivo;
- conjugal: amor pelo qual as pessoas se unem pelas leis do matrimónio;
- oblativo: amor dedicado a outrem;
- platónico: intensa afeição que não inclui sentimentos carnais;
- possessivo: amor que leva a subjugar e monopolizar a pessoa que se ama;

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Quem vai saber o que você pensou? Quem vai saber o que você sentiu? Quem vai dizer agora o que eu não fiz? Vou explicar pra você que eu quis...

Era mais uma noite como outra qualquer, na verdade um pouco diferente, o que não a desmerece nem mesmo enobrece. As pessoas chegaram sem que eu nem percebesse, não sei por conta do álcool ou a pouca atenção que eu as destinava. Quando olhei para a fila, já estava enorme. O vi. Meu nome era pronunciado ao vento, de forma tão bela que não me vieram palavras justas para comentar. Olá! Prazer! A noite percorreu em seu vazio repleto de pessoas que eu não sei o que buscavam. Cinema não era!
- Você o viu?
Fiquei inebriado pelo soar de sua voz, pelo gesto suave de seu olhar, pelo sorriso enigmático que chegava a ser perturbador, pelo ser...
- Ah, sim, mas já sumiu novamente...
- Como pode! [Haveria sorriso mais belo que o que nasceu aqui?]
A noite foi se desenrolando, ainda me embriaguei em seus olhos umas duas vezes mais, de forma que nem devo ter sido notado, o que eu gostaria mesmo que ocorresse.
Amanheceu, peguei minhas coisas, fui embora antes que as pessoas nascessem por entre as portas escuras, pela terceira vez.
Leonardo Guimarães

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Alegria e tristeza, e a noite vai passar...

Uma vez me disseram que eu era alegre, quis mudar, fiquei triste, então, me disseram que eu era triste, achei chato, voltei a ser alegre. Nessa de ser triste pra mudar a alegria, e ser alegre pra chatear a tristeza, ainda me resta um viés de dúvida, então, transito entre os mesmos estados, como me convém.
Leonardo Guimarães

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Cague em alguém antes que caguem em você.

O dia estava lindo! O sol brilhando, pássaros cantando, as flores, cheirosas como nunca, se agitavam e pareciam me cumprimentar. Acordei bem, sorrindo, de um sono tranqüilo e confortável que eu já não experimentava havia tempos, devido ao alto grau de estresse no trabalho, os inúmeros textos a serem lidos na faculdade e minha trágica vida amorosa. Acordei sem mais me importar com tudo isso. O dia estava tão lindo, que de início pensei que sonhava, mas constatei duramente que não era um sonho, ao bater com o dedinho na quina da cama, fato este, que não me irritou, pois ao olhar para baixo para avaliar o estado do que restara de meu dedo, achei a nota de 50 que antes havia perdido.
Tudo estava perfeito, os ovos mexidos ficaram deliciosos como nunca, o café no ponto certo, o rádio tocava minhas canções prediletas, a roupa não estava amarrotada e o sapato lustroso.
Tive a certeza de que minha vida mudaria dali para frente. Peguei o jornal e li meu horóscopo: O sucesso vem de cima. Pronto! Era o que bastava para consolidar minha tese! Era um novo homem. Decidi botar minha melhor camisa, a mais cara por sinal. Eu já estava pronto para sair de casa quando esbarrei no bule de café, que rodou, fez menção de cair em minha blusa e estabilizou. Eu estava certo de que era meu dia! Saí de casa confiante como nunca! Assim que coloquei os dois pés para fora, senti algo quente em meu ombro. Olhei para cima e lá estava o diabo em forma de pombo. Aí eu pude perceber a ironia da vida! A todo momento a vida queria me mostrar o que eu deveria fazer! Qual deveria ser minha filosofia de vida. O vizinho saiu e gritou: Bom dia! Abri a porta e entrei. Já era tarde demais para começar a viver a nova filosofia. Teria que esperar o dia seguinte.

Conclusão: Cague em alguém antes que caguem em você.
Leonardo Guimarães

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O teatro nosso de cada dia...

Já estou farto dessa encenação permanente, de não poder ser quem realmente sou. Desde criança já temos que aprender a atuar, passar a imagem de uma criança comportada e limpa. Ora! Coisa mais idiota! Éramos crianças! Queríamos correr, brincar e nos sujar, porém, éramos tolidos por olhares fuzilantes de nossos pais. Na escola não era diferente. Alunos padrões! A melhor turma da escola e blá e blá e blá blá blá...
Chega dessa padronização social, de critérios a serem seguidos, dessa grande peça teatral em nossas vidas, em nossa sociedade. Chega da falta de coragem de emanar meu verdadeiro eu com medo das críticas da sociedade homogênea, vamos excluir nosso eu lírico! Não quero mais omitir sentimentos, nem ter de inventá-los. Quero sentir o que sinto, falar o que penso, me livrar dessa indumentária ridícula que nos obrigam a usar, ir para a faculdade de shortinho e havaianas e dane-se o que pensarão de mim!
A peça está próxima do fim, pelo menos para mim. Uma vaga está para surgir, um papel, e já consigo até ver o anúncio: Precisa-se de figurante na peça da vida...
Leonardo Guimarães

domingo, 26 de agosto de 2007

Versos Íntimos - [Realidade Socio-sentimental]

Versos Íntimos
Augusto dos Anjos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Dito e Feito

Oh brasa
que arde em meu peito
e se abriga em meu leito
por algo que foi dito, feito
e que agora no fim, que já não há mais jeito
que ao menos se conserve
a lembrança e o respeito
que um dia me guiaram
em um amor mais que perfeito
de onde tudo que tirei foi proveito, deleito
e hoje está mais que desfeito
mas um dia me endireito
fico refeito
e por enquanto pra esquecer,
durmo,
me deito.


Leonardo Guimarães